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Curso de Iorubá-nagô começa nesta quinta (24)

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Você sabia que diversas palavras e costumes foram herdados pelos baianos da cultura Ioruba-Nagô?

O acarajé, uma especialidade gastronômica afro-brasileira, é tão Iorubá-Nagô que ainda hoje, na Nigéria, é comercializado e chamado de akara e em Gana é mais conhecida como koose. Aliás, todas essas iguarias na África são irmãs do nosso acarajé. A palavra “gogó”, que usamos para nos referir ao “pomo de adão”, é uma palavra Iorubá. O costume de estalar os dedos quando queremos dizer que algo é muito antigo, é um costume herdado dos nossos tataravós Ioruba-Nagô daqui da cidade da Bahia.

Estas e outras curiosidades estarão em debate durante o curso “Lições de Língua Iorubá-Nagô para Iniciantes” que acontece entre os dias 24 de setembro até o dia 22 de outubro, com aulas semanais (toda quinta-feira, das 16h às 18h) no formato on-line e carga horária de 20 (vinte) horas, com direito a certificação, promovido pelo Gabinete Português de Leitura (Salvador).

Além de demonstrar que a língua Nagô falada no Candomblé é, em verdade, uma língua conversacional, como o Inglês, o Frances, o Português, etc., e que, por conta da diáspora, é falada por cerca de 35 milhões de pessoas na Costa Ocidental da África e nas Américas, inclusive no Brasil; o Curso tem também como um dos principais objetivos demonstrar a existência de uma estrutura formal léxica e sintática na língua Iorubá-Nagô falada todos os dias nas Casas de Candomblé de Queto ou Candomblé Nagô e nas práticas litúrgicas das religiões de matriz africana relacionadas com essas tradições afrorreligiosas.

Durante o curso serão abordados a conversação regular do dia-a-dia em língua Iorubá-Nagô e aspectos culturais comuns aos povos Iorubá na Nigéria e na diáspora africana, além da estrutura da língua nos seus processos fundamentais de comunicação (pronomes, verbos, preposições) e a língua falada no dia a dia como instrumento de interação social e cultural, entre os indivíduos.

As aulas serão ministradas pelo professor Adelson Silva de Brito, Mestre em Saúde, Ambiente e Trabalho; Licenciado em Física; Pesquisador no campo das desintegrações nucleares naturais; Professor de Língua e Cultura Iorubá na Casa da Nigéria, e de Língua e Cultura Iorubá no Centro de Cidadania – CECI do Departamento de Direito da UNIFACS, dentre outras instituições de ensino. Atualmente, as suas funções religiosas na Tradição de Matriz Africana Jeje-Nagô, no cargo de Mawó (Ministro de Grande Confiança e Embaixador entre as Culturas Jeje e Nagô) tem se tornado o foco da sua atuação. As pesquisas sobre os Rituais da Liturgia Jeje, estão conduzindo o seu projeto de doutorado para a área da Antropologia e da Etnografia da Cultura Religiosa Jeje na Bahia.

O investimento para participar é de R$ 100 (cem reais) e a inscrição pode ser feita nas plataformas Sympla e Eventbrite. Mais informações e a programação completa do curso no site www.gplsalvador.org

PROGRAMAÇÃO

Ẹ̀kọ́ kìnní/Primeira Lição

ÀWỌN ỌMỌ ODUDUWA/OS FILHOS DE ODUDUA

Àwọn ọmọ Yorùbá wá de ni Amẹ́rikà/ A chegada dos Iorubas à América.

ABD, Álífábẹ́ẹ̀tì Yorùbá/ABD, o Alfabeto Iorubá.

Àwọn Fáwẹ̀lì Yorùbá/ As vogais Iorubá

Awọ̀n kọ́ńsónàǹtì Yorùbá/ As consoantes Iorubá

Ìyàtọ̀ láàárín Álífábẹ́ẹ̀tì Yorùbá àti ti Gẹ̀ẹ́sì.

Ìró ohùn ni òpó èdè Yorùbá/ O tom é o pilar da língua Iorubá.

Ìlànà fún pípe Álífábẹ́ẹ̀tì Yorùbá/ Orientação para a pronúncia das letras do Alfabeto Iorubá.

Ètò ọ̀rọ̀ ni a ń pè ni Mọfọ́lọ́jì/Estrutura das palavras ou Morfologia

Jẹ́ ki a sọ Yorùbá / Vamos falar Iorubá

Isọ̀rọ̀ngbèsì / Diálogo

Àwọn ọ̀rọ̀ / vocabulário

Àwọn lẹ́tà tí ó máa ńsábà /As letras usualmente difíceis

Àwọn ọ̀rọ̀ ti o tọka si eniyan ibi tabi nkan (àwọn ọrọ) / Palavras relacionadas a gente, ou coisas (substantivos)

Ẹ̀kọ́ keji/ Segunda Lição

ÌKÍNI TABI KIKI NI J ÀŞÀ PÀTAKI NINU ÀWỌN YORÙBÁ / A SAUDAÇÃO OU CUMPRIMENTO É UMA TRADIÇÃO IMPORTANTE PARA OS IORUBÁ

Ẹ jẹ́ ki a bẹ̀rẹ̀ lò Yorùbá!!! /Vamos começar a usar o Iorubá

Kíkí àwn àgbà àti ni tí ó junilọ /Cumprimentando as pessoas idosas e aquelas mais velhas do que você

Òǹkà Yorùbá/Contagem em Iorubá

Ìkíni láàrin ọjọ́ / As saudações ao longo do dia

Àwọn Isọ̀rọ̀ngbèsì Apa Kinni/Diálogos: primeira parte

Ṣẹ́gun ń ki bàbá rẹ ni òwúrọ̀ kùtùkùtù/Segun cumprimenta o pai cedo pela manhã

Ọmọbinrin kan ń ki ìyá rẹ nigbati ó ba wọle/A fiha cumprimenta a mãe que chega em casa

Tunde ati Titi ń ki ìyá rẹ ni òwúrọ̀ kùtùkùtù/Tunde e Titi cumprimentam a mãe deles cedo pela manhã

Ṣadé ń ki ọ̀rẹ́ rẹ, Funmi, ni ilé-ìwé ni ọ̀sán/ Sade cumprimenta sua amiga, Funmi, na escola pela tarde

Ọ̀rọ̀ ninu kíláàsì/ Comunicação em Sala de Aula

Ojoojúmọ́aye/ A vida cotidiana

Ẹ jẹ́ ki n kawé!!!/Vamos ler!!!

Ẹ̀kọ́ kẹta/Terceira Lição

KIKỌ ATI KIKA NI YORÙBÁ/ESCREVENDO E LENDO EM IORUBÁ

Ẹ jẹ ki a gbé èdè àti àṣà Yorùbá Lárugẹ! / Vamos manter a viva a Língua Iorubá!

Àwọn ọ̀rọ̀ tí a fi dípò orúkọ tabi àwọn Alòfò/As palavras usada em substituição ao substantivos, ou seja, pronomes

Atọkun ọ̀rọ̀ /Preposições

Àwngbolohùn ti wúlò fúalákọbẹ̀rẹ̀ / Frases úteis para iniciantes

Kíkí àwn ara ilé / Saudando as pessoas de casa

Orúkọ àwọn ẹranko ni Èdè Yorùbá/ Nomes dos Animais em Iorubá

Kikọ ati kikà ni Yorùbá/Escrevendo e lendo em Iorubá

Ẹ̀kọ́ kẹ́rin/Quarta Lição

ÈDÈ YORÙBÁ: LÒ Ó, BẸ́Ẹ̀ KỌ́ ÌYỌ YÓÒ PÀDÁNÙ RẸ̀/

LÍNGUA IORUBÁ: USE-A, OU ENTÃO, ELA SE PERDERÁ

Òdi ni èdè Yorùbá/Negação em Iorubá

Èdè yorùbá: Lò ó, bẹ́ẹ̀ kọ́ ìyọ yóò pàdánù rẹ̀/Língua Iorubá: use-a ou ela se perderá

Àwọn ìtan ti àwọn ọjọ́ to wà nínu ọsẹ/A história dos dias da semana

Kojoda / O calendário

Jẹ ka sọ Yorùbá!/Vamos falar Iorubá!

Àwọn Isọ̀rọ̀ngbèsì Apa Keji/Diálogo: segunda parte

Ẹbí Adéwálé náà/ A Familia de Adewale

Aṣọ ni Èdè Yorùbá/ Roupas em língua Iorubá

Iṣẹ́ ṣíṣe/Exercícios

Ẹ̀kọ́ karùnún/Quinta Lição

NI ỌJỌ́ ẸTI, ỌJỌ́ KARUN TI A TI BẸ̀RẸ̀ ILÉ-IWÉ NI Ọ̀SẸ̀/ NA SEXTA-FEIRA, QUINTO DIA DA SEMANA DESDE O COMEÇO DA SEMANA ESCOLAR

Òǹkà Yorùbá/Contagem em Iorubá

Awọn ìbèèrè ni Yorùbá/ Fazendo perguntas em Iorubá

Orúkọ mi ni Adébọ́lá/ Meu nome é Adebolá
Wúlò gbolohùn fun alákọbẹ̀rẹ̀ / Frases úteis para iniciantes

Dáhùn àwọn ìbéèrè wọ̀nyí ní ẹ̀kúnrẹ́rẹ́/ Responda as seguintes questões usando formas completas.

Yoruba Ye mi/Eu entendo o Iorubá

Confira os links de inscrição:

Sympla

Eventbrite

Saiba mais sobre a língua iorubá:
O projeto de lei 300/2019, proposto pelo ex-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito, que torna a Língua Iorubá um patrimônio imaterial de Salvador (a cidade mais negra do mundo fora do continente africano), foi aprovado por unanimidade no plenário da Câmara Municipal.

A língua Nagô já foi uma língua franca entre os negros que viviam escravizados na Bahia, em consequência do fato da Cultura Nagô ter se tornado hegemônica no século XIX, depois da queda da influência islâmica dos Hausa, os grandes derrocados da Revolta dos Malês. Hoje em dia os Nagô são reconhecidos mundialmente e chamados de Iorubás.

A língua Nagô falada na Bahia desde os tempos da escravidão é hoje denominada Língua Iorubá. Essa língua continuou falada nas ruas de Salvador pelos vendedores e vendendoras ambulantes até as décadas de 1930-1940.

Na Bahia se vive uma confusão entre o que é Nagô e o que é Iorubá (apesar de uma certa identificação entre essas duas vertentes nos meios Iorubá). Os Nagô são povos de fala Iorubá que vieram de várias regiões da África Ocidental, como o Sudão, a própria Nigéria, o Benin, Burkina Faso, da Costa do Marfim, Gana, Guiné e Togo.


“Estou trazendo esses dados, mas basta lembrar a nossa organização familiar mais antiga, onde todos os filhos, e principalmente, as filhas, constituíam suas respectivas famílias, mantendo a casa da Matriarca como o centro de comando e de decisões familiares estendidas: um costume Ioruba-Nagô, como vivia minha avô materna, a saudosa D. Dilú. Para melhor avaliar a influência da Cultura Nagô, basta pensar que só na Bahia existem mais de 1200 candomblés, cuja maioria são descendentes da Religião dos Orixás”, complementa mawó Adelson.