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Cultura e Ciência

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Quis a Santa Coincidência, que a data comemorativa do nascimento de Rui Barbosa caísse como uma luva na necessidade de fecharmos a Semana da BTS, mormente porque passou a ser oficialmente o Dia da Cultura, no Brasil. Há um discurso que procura separar a cultura da ciência, mas a História é cultura e é ciência do mesmo modo, não podemos (devemos) tratar da Baía de Todos os Santos sem essa visão de duplo sentido – dupla direção e duplo senso – assim encarando o seu universo sobretudo geográfico-histórico com a perspectiva espaço-temporal, sem a qual não há Cultura e evidentemente, não há Ciência.

CULTURA E CIÊNCIA NA BTS

Podemos começar com uma pergunta: quão pobre/quão rica é a paisagem cultural ou científica nos municípios sob a influência da Baía de Todos os Santos e seus rios afluentes? Poderíamos enumerar um elenco de atividades, desde as artísticas e as desportivas até as científicas e tecnológicas que se encaixam nesse conjunto chamado CULTURA.

Fazer ciência também pode ser uma atividade cultural, na medida em que o cientista, sendo um pesquisador, não sendo profissional, será amador e assim, fará ciência como cultura. Poderíamos passar meses e anos a falar de cientistas amadores, cultivando, por exemplo, a botânica em seu jardim ou a astronomia no telhado da sua casa. Podemos provocar aqui e agora uma dona-de-casa que enfeita o seu living com algumas plantas e perguntar a ela se – além do nome popular do que coloca nos seus vasos com terra ou com água – ela sabe mais alguma coisa sobre esse vegetal. Este é um assunto que poderia virilizar nas redes sociais? No fundo, o que estamos provocando é a necessidade de fazer as coisas culturalmente, isto é, com a consciência do que se faz e que pode enriquecer muito a vida individual e social nestas terras da Baía de Todos os Santos e dos rios que fluem na sua direção.

Correção de um erro

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A humildade é a maior virtude de um ser humano, porque o aproxima dos anjos. A Baía de Todos-os-Santos foi descoberta em fins de abril de 1500 por Gaspar de Lemos, subindo de volta para Portugal, levando a carta de Pero Vaz de Caminha para o Rei D. Manuel, com a missão de bordejar aquela “ilha”, sem ter a menor ideia do seu tamanho, mas tomando nota de tudo o que fosse observado e já estudando astronomicamente a rota para uma nova missão. Em 01 de novembro de 1501, apenas ocorreu a sua posse, pela expedição montada em Portugal que lhe deu o nome.

Isto significa que devemos alterar o dia de festa da nossa Baía de Todos-os-Santos? Não, necessariamente, mas já é necessário corrigir o motivo dessa comemoração, que não é o da sua descoberta e sim, o da solenidade de posse, para a qual o Rei D. Manuel mandou três barcos com o que havia de melhor entre os navegadores a seu serviço. Esta Semana da BTS continua, portanto, mantendo a data de 1º de novembro, mas não como a da descoberta e sim a da sua confirmação com a posse das novas terras do Brasil, dias antes descoberto por Pedro Álvares Cabral, em viagem para as Índias.

Esta é a proposta da Ciência e este é o propósito dos cientistas, voltados para a frieza dos fatos e dos números, mas não proibidos de festejar com emoção os bons resultados de suas pesquisas, seus trabalhos e (por que não?) de suas aventuras.

Assim, por obrigação científica, é necessário levar para todos a informação precisa e oficial de ser a Baía de Todos os Santos descoberta em  abril de 1500 por Gaspar de Lemos, tendo em 1º de novembro de 1501, DIA DE TODOS-OS-SANTOS, a confirmação de sua posse pelo REI DE PORTUGAL, assim sendo iniciada a sua ocupação, dando ao seu entorno o destino de ser o centro de poder de Portugal no Brasil recentemente descoberto em Porto Seguro por Pedro Álvares Cabral.

Adinoel Mota Maia

O tamanho da baía

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Apesar dos inúmeros textos já escritos e teses defendidas, que divergem sobre as dimensões da Baía de Todos- os-Santos, em verdade, a BTS descoberta é muito maior do que esta, oficial (ou oficiosa), nos dias de hoje.

Por tudo o que já lemos nos dias anteriores deste conjunto literário comemorativo, é evidente que temos em mãos um saudável e útil instrumento de verificação dos fatos históricos, que só o são se forem verdadeiros: os mapas.

NÃO SE FAZ GEOGRAFIA, ENQUANTO CIÊNCIA, SEM MAPAS.

Desde os mais antigos, desenhados em cima – dentro – de barcos; aos mais novos, decalcados de fotografias feitas por satélites, só podemos dizer da proposta de colocar a barra da Baía de Todos-os-Santos na linha que liga a Ponta do Padrão (Farol da Barra) à Ponta do Garcez (atrás da Ilha de Itaparica), como um exemplo do jeitinho brasileiro para economizar, fazendo a economia da porcaria. A linha reta da Ponta do Padrão para a Ponta do Garcez, tangenciando a Ilha de Itaparica é o que na gíria popular se diz ser e se cultiva como uma “forçação de barra”, com o único objetivo de cultivar a pobreza (gastar menos e ganhar menos). Em outras palavras, mais elegantes: “um recurso gráfico para enganar ignorantes”.

Embora a barra de uma baía seja uma linha reta, não deve ser qualquer linha reta, mas aquela que, no contexto cartográfico atenda o conjunto dos elementos geográficos com maior racionalidade, sem ir contra as causas do fenômeno geológico que determinou a posição de tais elementos, inclusive no entorno do que se deve enfocar prioritariamente como o “acidente”, isto é, sua causa. Em palavras científicas: não se deve registrar efeitos sem estudar causas. Ainda mais: não se faz ciência (tecnologia) apenas com figuras.

A GEOGRAFIA É FILHA DA GEOLOGIA

Consequentemente, os mapas não são apenas cartas de navegação que definem rotas, mas, sobretudo, elementos gráficos da geofísica. Sem tais estudos, não se pode/deve definir o tamanho da nossa BTS.

Adinoel Motta Maia

Foto: Rosilda Cruz / SECOM

O nome da baía

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Não há dúvida sobre a data da chegada da expedição que deu nome à Baía de Todos-os-Santos – daí o seu nome – mas é evidente que essa foi a data da posse e não a da sua descoberta, feita pelo Gaspar de Lemos, no mesmo retorno de Porto Seguro a Portugal, no qual também descobriu a foz do rio São Francisco e o último ponto da costa brasileira, no R.G.do Norte – o Cabo de São Roque –  do qual tomou rumo para atravessar o oceano, de volta a Portugal, entre outros anotados em seu diário de bordo na subida e oficializados na descida, em sua volta, dando-lhes os nomes dos santos  desses dias do seu reencontro, no seu retorno: Cabo de S. Roque em 16 de agosto e Rio São Francisco em 4 de outubro, por exemplo.

Sim, foi Gaspar de Lemos o comandante da frota que chegou à Baía de Todos-os-Santos em 1º de novembro de 2001 (Dia de Todos os Santos, para a Igreja Católica). O Rei de Portugal – D. Manuel – o premiou pela sua performance, fazendo-o comandar a frota que retornou ao Brasil recém-descoberto para tomar posse e dar nomes aos lugares que ampliavam gigantescamente os domínios portugueses, constituída essa frota pelo seu barco e mais dois.

Nesse contexto, ainda há discussão sobre a Baía que tomou o nome de Todos-os-Santos e daria nome também à Capitania (hereditária) de Todos-os-Santos, a partir dela, para o Norte, porque, para alguns, essa baía seria marcada politicamente a partir da Ponta do Padrão (Farol da Barra) para o norte; mas acontece que não é bem assim, porque geograficamente a nossa BTS tem seu extremo sul no Morro de São Paulo, não sendo desejável, racionalmente, que a visão política seja contrária à visão científica.

Um ponto a destacar é que habitualmente os historiadores dão mais importância aos aspectos políticos e aos nomes dos seus agentes, do que aos dados científicos – precisos e permanentes – entre os quais estão os obrigatoriamente relacionados com o tempo (históricos) e inevitavelmente com o espaço (geográficos), responsáveis pelo nome BAÍA DE TODOS-OS-SANTOS!

1º de Novembro. Descoberta da Baía?

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Sempre houve uma discussão e já tratamos deste assunto aqui, mas não custa andarmos por outro caminho, ainda que para chegar ao mesmo lugar. Estamos, os brasileiros e portugueses, comemorando a descoberta da Baía de Todos-os-Santos nesta data – Dia de Todos-os-Santos – razão pela qual ela tomou o nome que tem. Isto porque se considera a data da volta de Gaspar de Lemos, vindo de Portugal, provavelmente no comando da nau capitânia, em missão de tomar posse dos lugares por ele anotados na sua viagem de volta a Portugal, após o descobrimento do Brasil, para comunicar esse fato ao Rei.

Gaspar de Lemos era o comandante da nau de mantimentos, na esquadra de Pedro Álvares Cabral e foi incumbido por este de passar sua carga para os demais barcos e voltar a Lisboa para dar notícia ao Rei, das terras descobertas em 22 de abril de 1500, cuidando de tomar nota de tudo o que visse na costa daquela “ilha” no meio do oceano. Junto com as cartas dos capitães de todos os barcos e principalmente a feita pelo Pero Vaz de Caminha ao rei, levava ele um “diário de bordo” no qual os comandantes costumam anotar descobertas e ocorrências no seu trajeto.

A crença era a de que Porto Seguro seria uma ilha no meio do oceano e terminaria de ser vista após algumas horas de viagem para o Norte. Inevitavelmente, acompanhando a costa e anotando todos os acidentes geográficos observados, o comandante Gaspar gastava papel com suas anotações, em trajeto para o Norte, guardando distância segura do barco para a terra.

Sem qualquer dúvida, poucos dias após sua partida, em abril de 1500, inevitavelmente, não só passaria pelo Morro de São Paulo como veria o recuo da costa em seguida, mas seguiria direto na direção das terras em frente, mantendo o rumo para o Norte, assim descobrindo a maior baía que já teria visto,  aquela que – cerca de um ano e meio depois, a ela retornando com mais duas embarcações – reencontraria em 1º de novembro de 1501 (Dia de Todos-os-Santos), dando-lhe este nome.

Adinoel Motta Maia