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Semana Virtual BTS 2020 começa hoje no GPL

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Dias difíceis, de distanciamento social, impedem o Gabinete Português de Leitura de receber os amigos de sempre. Mas as atividades continuam, de forma virtual.

Hoje abrimos mais uma Semana da BTS com crônicas do professor Adinoel Motta Maia. Até 5 de novembro, um texto por dia vai celebrar mais um aniversário da Baía de Todos-os-Santos, comemorado em 1º de novembro.

Filho de português, Adinoel Motta Maia é professor, pesquisador, escritor e colaborador do GPL. É também autor do Projeto BTS (Geografia e História dos transportes na Baía de Todos-os-Santos e seu Recôncavo).

Semana (mais uma) da BTS

Há muitos “baianos” que nada sabem sobre a sua Baía de Todos-os-Santos, mesmo nascendo e vivendo às suas margens. Muitos dos que moram em Salvador sequer sabem onde começa e/ou termina. Para iniciar – ver na História do Brasil – ela é uma das capitanias hereditárias. Por vontade nossa, voltando de uma viagem a Belo Horizonte (Minas Gerais), onde seus habitantes se referem à cidade simplesmente como BH, começamos a falar e escrever BTS, publicamente, para nos referirmos à Baía de Todos-os-Santos e logo muitos adotaram esse apelido. Também estamos intervindo contra um erro que está sendo cada vez mais praticado, porque oficialmente, a Marinha Brasileira considera, como verdadeira, a barra falsa da baía entre a ponta do Farol da Barra e a ponta do Garcez, atrás de Itaparica – leiam a nossa crônica de amanhã, aqui – como sendo a oficial, científica, geográfica. Não o é.

Nesta Semana da BTS 2020, que hoje começa, vamos abordar algumas questões que temos de considerar, como todos os baianos que se interessam pela geografia e história do lugar onde nascemos e vivemos. Nossa primeira proposta é justamente a da importância de conhecermos essa terra, onde crescemos, estudamos e fizemos nossos filhos.

A cada ano, nestes dias, temos a oportunidade de reunir todos os baianos nascidos em volta da Baía de Todos-os-Santos para uma atividade intelectual que promova o conhecimento e a discussão dos anseios, das realizações e dos resultados obtidos no ano que se foi, para programar as ações a serem incrementadas no ano que se seguirá – cada um na sua área de competência não só profissional como cultural – como ocorre nas comunidades mais desenvolvidas do mundo, nas quais temos de nos espelhar. Afinal, não somos apenas animais (seres que se movem), mas, sem dúvida, intelectuais capazes de planejar e realizar obras que beneficiam as pessoas, as comunidades, as nações e toda a humanidade. Fora dessa proposta, é somente a pobre vida irracional dos seres que apenas acordam, comem e dormem… profundamente!

Professor Adinoel Mota Maia

Foto: Manu Dias/ SECOM

Curso de Iorubá-nagô começa nesta quinta (24)

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Você sabia que diversas palavras e costumes foram herdados pelos baianos da cultura Ioruba-Nagô?

O acarajé, uma especialidade gastronômica afro-brasileira, é tão Iorubá-Nagô que ainda hoje, na Nigéria, é comercializado e chamado de akara e em Gana é mais conhecida como koose. Aliás, todas essas iguarias na África são irmãs do nosso acarajé. A palavra “gogó”, que usamos para nos referir ao “pomo de adão”, é uma palavra Iorubá. O costume de estalar os dedos quando queremos dizer que algo é muito antigo, é um costume herdado dos nossos tataravós Ioruba-Nagô daqui da cidade da Bahia.

Estas e outras curiosidades estarão em debate durante o curso “Lições de Língua Iorubá-Nagô para Iniciantes” que acontece entre os dias 24 de setembro até o dia 22 de outubro, com aulas semanais (toda quinta-feira, das 16h às 18h) no formato on-line e carga horária de 20 (vinte) horas, com direito a certificação, promovido pelo Gabinete Português de Leitura (Salvador).

Além de demonstrar que a língua Nagô falada no Candomblé é, em verdade, uma língua conversacional, como o Inglês, o Frances, o Português, etc., e que, por conta da diáspora, é falada por cerca de 35 milhões de pessoas na Costa Ocidental da África e nas Américas, inclusive no Brasil; o Curso tem também como um dos principais objetivos demonstrar a existência de uma estrutura formal léxica e sintática na língua Iorubá-Nagô falada todos os dias nas Casas de Candomblé de Queto ou Candomblé Nagô e nas práticas litúrgicas das religiões de matriz africana relacionadas com essas tradições afrorreligiosas.

Durante o curso serão abordados a conversação regular do dia-a-dia em língua Iorubá-Nagô e aspectos culturais comuns aos povos Iorubá na Nigéria e na diáspora africana, além da estrutura da língua nos seus processos fundamentais de comunicação (pronomes, verbos, preposições) e a língua falada no dia a dia como instrumento de interação social e cultural, entre os indivíduos.

As aulas serão ministradas pelo professor Adelson Silva de Brito, Mestre em Saúde, Ambiente e Trabalho; Licenciado em Física; Pesquisador no campo das desintegrações nucleares naturais; Professor de Língua e Cultura Iorubá na Casa da Nigéria, e de Língua e Cultura Iorubá no Centro de Cidadania – CECI do Departamento de Direito da UNIFACS, dentre outras instituições de ensino. Atualmente, as suas funções religiosas na Tradição de Matriz Africana Jeje-Nagô, no cargo de Mawó (Ministro de Grande Confiança e Embaixador entre as Culturas Jeje e Nagô) tem se tornado o foco da sua atuação. As pesquisas sobre os Rituais da Liturgia Jeje, estão conduzindo o seu projeto de doutorado para a área da Antropologia e da Etnografia da Cultura Religiosa Jeje na Bahia.

O investimento para participar é de R$ 100 (cem reais) e a inscrição pode ser feita nas plataformas Sympla e Eventbrite. Mais informações e a programação completa do curso no site www.gplsalvador.org

PROGRAMAÇÃO

Ẹ̀kọ́ kìnní/Primeira Lição

ÀWỌN ỌMỌ ODUDUWA/OS FILHOS DE ODUDUA

Àwọn ọmọ Yorùbá wá de ni Amẹ́rikà/ A chegada dos Iorubas à América.

ABD, Álífábẹ́ẹ̀tì Yorùbá/ABD, o Alfabeto Iorubá.

Àwọn Fáwẹ̀lì Yorùbá/ As vogais Iorubá

Awọ̀n kọ́ńsónàǹtì Yorùbá/ As consoantes Iorubá

Ìyàtọ̀ láàárín Álífábẹ́ẹ̀tì Yorùbá àti ti Gẹ̀ẹ́sì.

Ìró ohùn ni òpó èdè Yorùbá/ O tom é o pilar da língua Iorubá.

Ìlànà fún pípe Álífábẹ́ẹ̀tì Yorùbá/ Orientação para a pronúncia das letras do Alfabeto Iorubá.

Ètò ọ̀rọ̀ ni a ń pè ni Mọfọ́lọ́jì/Estrutura das palavras ou Morfologia

Jẹ́ ki a sọ Yorùbá / Vamos falar Iorubá

Isọ̀rọ̀ngbèsì / Diálogo

Àwọn ọ̀rọ̀ / vocabulário

Àwọn lẹ́tà tí ó máa ńsábà /As letras usualmente difíceis

Àwọn ọ̀rọ̀ ti o tọka si eniyan ibi tabi nkan (àwọn ọrọ) / Palavras relacionadas a gente, ou coisas (substantivos)

Ẹ̀kọ́ keji/ Segunda Lição

ÌKÍNI TABI KIKI NI J ÀŞÀ PÀTAKI NINU ÀWỌN YORÙBÁ / A SAUDAÇÃO OU CUMPRIMENTO É UMA TRADIÇÃO IMPORTANTE PARA OS IORUBÁ

Ẹ jẹ́ ki a bẹ̀rẹ̀ lò Yorùbá!!! /Vamos começar a usar o Iorubá

Kíkí àwn àgbà àti ni tí ó junilọ /Cumprimentando as pessoas idosas e aquelas mais velhas do que você

Òǹkà Yorùbá/Contagem em Iorubá

Ìkíni láàrin ọjọ́ / As saudações ao longo do dia

Àwọn Isọ̀rọ̀ngbèsì Apa Kinni/Diálogos: primeira parte

Ṣẹ́gun ń ki bàbá rẹ ni òwúrọ̀ kùtùkùtù/Segun cumprimenta o pai cedo pela manhã

Ọmọbinrin kan ń ki ìyá rẹ nigbati ó ba wọle/A fiha cumprimenta a mãe que chega em casa

Tunde ati Titi ń ki ìyá rẹ ni òwúrọ̀ kùtùkùtù/Tunde e Titi cumprimentam a mãe deles cedo pela manhã

Ṣadé ń ki ọ̀rẹ́ rẹ, Funmi, ni ilé-ìwé ni ọ̀sán/ Sade cumprimenta sua amiga, Funmi, na escola pela tarde

Ọ̀rọ̀ ninu kíláàsì/ Comunicação em Sala de Aula

Ojoojúmọ́aye/ A vida cotidiana

Ẹ jẹ́ ki n kawé!!!/Vamos ler!!!

Ẹ̀kọ́ kẹta/Terceira Lição

KIKỌ ATI KIKA NI YORÙBÁ/ESCREVENDO E LENDO EM IORUBÁ

Ẹ jẹ ki a gbé èdè àti àṣà Yorùbá Lárugẹ! / Vamos manter a viva a Língua Iorubá!

Àwọn ọ̀rọ̀ tí a fi dípò orúkọ tabi àwọn Alòfò/As palavras usada em substituição ao substantivos, ou seja, pronomes

Atọkun ọ̀rọ̀ /Preposições

Àwngbolohùn ti wúlò fúalákọbẹ̀rẹ̀ / Frases úteis para iniciantes

Kíkí àwn ara ilé / Saudando as pessoas de casa

Orúkọ àwọn ẹranko ni Èdè Yorùbá/ Nomes dos Animais em Iorubá

Kikọ ati kikà ni Yorùbá/Escrevendo e lendo em Iorubá

Ẹ̀kọ́ kẹ́rin/Quarta Lição

ÈDÈ YORÙBÁ: LÒ Ó, BẸ́Ẹ̀ KỌ́ ÌYỌ YÓÒ PÀDÁNÙ RẸ̀/

LÍNGUA IORUBÁ: USE-A, OU ENTÃO, ELA SE PERDERÁ

Òdi ni èdè Yorùbá/Negação em Iorubá

Èdè yorùbá: Lò ó, bẹ́ẹ̀ kọ́ ìyọ yóò pàdánù rẹ̀/Língua Iorubá: use-a ou ela se perderá

Àwọn ìtan ti àwọn ọjọ́ to wà nínu ọsẹ/A história dos dias da semana

Kojoda / O calendário

Jẹ ka sọ Yorùbá!/Vamos falar Iorubá!

Àwọn Isọ̀rọ̀ngbèsì Apa Keji/Diálogo: segunda parte

Ẹbí Adéwálé náà/ A Familia de Adewale

Aṣọ ni Èdè Yorùbá/ Roupas em língua Iorubá

Iṣẹ́ ṣíṣe/Exercícios

Ẹ̀kọ́ karùnún/Quinta Lição

NI ỌJỌ́ ẸTI, ỌJỌ́ KARUN TI A TI BẸ̀RẸ̀ ILÉ-IWÉ NI Ọ̀SẸ̀/ NA SEXTA-FEIRA, QUINTO DIA DA SEMANA DESDE O COMEÇO DA SEMANA ESCOLAR

Òǹkà Yorùbá/Contagem em Iorubá

Awọn ìbèèrè ni Yorùbá/ Fazendo perguntas em Iorubá

Orúkọ mi ni Adébọ́lá/ Meu nome é Adebolá
Wúlò gbolohùn fun alákọbẹ̀rẹ̀ / Frases úteis para iniciantes

Dáhùn àwọn ìbéèrè wọ̀nyí ní ẹ̀kúnrẹ́rẹ́/ Responda as seguintes questões usando formas completas.

Yoruba Ye mi/Eu entendo o Iorubá

Confira os links de inscrição:

Sympla

Eventbrite

Saiba mais sobre a língua iorubá:
O projeto de lei 300/2019, proposto pelo ex-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito, que torna a Língua Iorubá um patrimônio imaterial de Salvador (a cidade mais negra do mundo fora do continente africano), foi aprovado por unanimidade no plenário da Câmara Municipal.

A língua Nagô já foi uma língua franca entre os negros que viviam escravizados na Bahia, em consequência do fato da Cultura Nagô ter se tornado hegemônica no século XIX, depois da queda da influência islâmica dos Hausa, os grandes derrocados da Revolta dos Malês. Hoje em dia os Nagô são reconhecidos mundialmente e chamados de Iorubás.

A língua Nagô falada na Bahia desde os tempos da escravidão é hoje denominada Língua Iorubá. Essa língua continuou falada nas ruas de Salvador pelos vendedores e vendendoras ambulantes até as décadas de 1930-1940.

Na Bahia se vive uma confusão entre o que é Nagô e o que é Iorubá (apesar de uma certa identificação entre essas duas vertentes nos meios Iorubá). Os Nagô são povos de fala Iorubá que vieram de várias regiões da África Ocidental, como o Sudão, a própria Nigéria, o Benin, Burkina Faso, da Costa do Marfim, Gana, Guiné e Togo.


“Estou trazendo esses dados, mas basta lembrar a nossa organização familiar mais antiga, onde todos os filhos, e principalmente, as filhas, constituíam suas respectivas famílias, mantendo a casa da Matriarca como o centro de comando e de decisões familiares estendidas: um costume Ioruba-Nagô, como vivia minha avô materna, a saudosa D. Dilú. Para melhor avaliar a influência da Cultura Nagô, basta pensar que só na Bahia existem mais de 1200 candomblés, cuja maioria são descendentes da Religião dos Orixás”, complementa mawó Adelson.

Elsimar Coutinho deixou-nos mais órfãos

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A Direção do Gabinete Português de Leitura da Bahia, vem – através deste – manifestar publicamente as suas sentidas condolências pelo desaparecimento do médico e cientista baiano Elsimar Coutinho, que faleceu nesta segunda-feira, dia 17 de agosto, vítima de complicações da Covid-19.

Este especialista em reprodução humana foi galardoado em 2014 com o Prêmio Cabral, honraria promovida por este Gabinete Português de Leitura e entregue pelo professor e infectologista da UFBA, Roberto Badaró.

Nascido em 1930 em Pojuca (interior da Bahia), Coutinho é autor de mais de dez livros, e tem centenas de trabalhos científicos publicados em revistas especializadas. O médico também foi presidente da Sociedade Brasileira de Ginecologia Endócrina, primeiro vice-presidente da Academia de Medicina da Bahia, Presidente do Centro de Pesquisas e Assistência em Reprodução Humana (Ceparh) e da Sociedade Baiana de Climatério, chegando a integrar dezenas de entidades de pesquisas médicas no Brasil e no estrangeiro.

Formado em farmácia e bioquímica pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), concluiu o curso de medicina na mesma instituição e concretizou a sua pós-graduação em Endocrinologia, na Universidade de Sorbonne, em Paris (França) e, no Instituto Rockfeller, em Nova York (EUA).

Como professor e pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, após observar pela primeira vez os efeitos da supressão da menstruação, o médico desenvolveu a criação do primeiro anticoncepcional injetável de uso prolongado.

Elsimar Coutinho também desenvolveu uma série de medicamentos que vão desde fármacos para facilitar a gravidez até outros que impedem o parto prematuro e aborto espontâneo, além de tratamentos de contracepção e de reposição hormonal em homens e mulheres, além da criação do Centro de Pesquisa e Reprodução Humana – CEPARH, referência em reprodução humana.

À família, amigos, à comunidade cientifica e a todos os baianos, apresentamos os nossos profundos sentimentos.

Gabinete Português de Leitura da Bahia

Bartholomeu de Gusmão ganha homenagem no GPL

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Na próxima quarta-feira (5) de agosto, às 16 horas, no canal do youtube.com/ighbba, o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e o Gabinete Português de Leitura prestam uma homenagem ao padre Bartholomeu Lourenço de Gusmão, inventor do aeróstato (balão de ar quente).  Participarão do encontro, o presidente do IGHB, Eduardo Morais de Castro, o presidente do GPL, Abel Travassos e o idealizador do Memorial ao Padre Bartholomeu Lourenço de Gusmão, Adinoel Motta Maia (que falará sobre a importância científica da contribuição do padre para a tecnologia e a ciência da aerostação e aeronáutica).

Em agosto de 2019, o IGHB, o GPL e a Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Cachoeira inauguraram um memorial do padre Bartholomeu Lourenço de Gusmão, em Belém de Cachoeira. O espaço constitui um registro histórico-geográfico-religioso, além de um instrumento de apoio a pesquisa e estudo tecnológico e científico para a população da região, turistas e estudiosos de todo o Brasil.

O padre voador Bartholomeu Lourenço, de nacionalidade então portuguesa e hoje brasileira, nasceu em 1685, na então Rua Santo Antonio – hoje Rua do Comércio – na cidade de Santos, em São Paulo. Era o quarto filho do português Francisco Lourenço e da brasileira Maria Álvares.

Foi levado para Belém de Cachoeira, na igreja do mesmo seminário ao qual chegou e onde cresceu, sob a proteção do padre Alexandre de Gusmão (sobrenome que seria acrescentado por Bartholomeu ao seu nome, quando viveu em Lisboa e Coimbra). 

Durante a sua educação, em Belém, ele concebeu um sistema de elevação da água, do Riacho existente no vale, até o topo do Seminário e realizou experiências com um objeto esférico cheio de ar com uma entrada de calor (fogo); assim, criando o balão. Levou este aeróstato para Portugal e com o apoio do Rei, realizou, em 1709, a experiência do primeiro voo oficial, com a presença do Cardeal representante do Vaticano e dos embaixadores dos países que tinham relação com Lisboa.

Ele estudou na Universidade de Coimbra, concluiu a Faculdade de Cânones e passou a dedicar-se a pesquisas técnico-científicas nos campos da aerostação, criptografia, hidráulica, história, literatura, matemática e teologia, relacionando-se com entidades da Holanda, Inglaterra e França.

Bartholomeu morreu em 19 de novembro de 1724, em Toledo, na Espanha, aos 38 anos. É o patrono do Serviço de Assistência Religiosa da Aeronáutica, que o considera um dos precursores da aviação.  

GPL recebe visita da Secretária das Comunidades Portuguesas

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O Gabinete Português de Leitura da Bahia recebeu na quinta-feira (13.2.2020) a primeira visita da nova secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Dra. Berta Nunes. Empossada no cargo em outubro do ano passado, a secretária foi recebida pelo presidente do Gabinete, Dr. Abel Travassos, e por membros da diretoria. Também participaram do encontro o embaixador do Portugal no Brasil, Dr. Jorge Cabral, e o cônsul de Portugal na Bahia, Dr. Jorge da Fonseca.

Encantada com o prédio, construído em 1918, a secretária se comprometeu a buscar apoio para as atividades culturais desenvolvidas pela instituição e apoiar a manutenção da biblioteca Infante D. Henrique, que conta com um acervo de aproximadamente 25 mil volumes.

A secretária presenteou o Gabinete com a medalha Luís Vaz de Camões. O presidente Abel Travassos, por sua vez, retribuiu a gentileza com a medalha comemorativa pelos 150 anos do Gabinete Português de Leitura, comemorados em 2013.

No livro de Honra do Gabinete Português de Leitura, a secretária deixou a seguinte mensagem: “O Gabinete de Leitura de Salvador tem um passado notável e muitas gerações de portugueses contribuíram para manter este espaço de memória. Iremos continuar a acompanhar este espaço de cultura para podermos manter a memória viva da comunidade portuguesa nestas terras do Brasil. Berta Nunes. Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas”.

Jornalistas do “Público” e da “Visão” no Gabinete

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Mariana Correia Pinto e Miguel Carvalho, ambos jornalistas portugueses de dois dos maiores veículos da comunicação escrita portuguesa, escolheram a cidade de Salvador para usufruírem das suas merecidas férias.

Apesar desta viagem ter tido um caráter meramente pessoal, os dois fizeram questão de conhecer as origens do Gabinete Português de Leitura da Bahia, as suas histórias e o seu edifício.

Escutaram com muita atenção e tomaram notas sobre o que tínhamos para contar sobre a instituição Gabinete desde os seus primórdios, passando pela composição sociológica das gerações de migrantes portugueses que fizeram e ainda compõem os corpos sociais desta entidade ao longo dos seus 156 anos, algumas referências aos grandes personagens da literatura, filosofia, história e política que por ali têm passado – com destaque e reverência para os grandes dignitários e para o filósofo Agostinho da Silva.

Falamos também da influência e penetração do Gabinete junto dos vários setores sociais, intelectuais e acadêmicos (sobretudo baianos e portugueses), mas também do esforço e resiliência totalmente voluntários, na manutenção de uma entidade secular, com tão poucos recursos.

Neste quesito, além de evidenciarmos as necessidades de se obter financiamento célere para se colmatar evidências de reparo urgente, comentamos também a receptividade positiva por parte do grande público, sobre as nossas redes sociais, tanto no que é o DNA natural do Gabinete “leitura em português para formar indivíduos”, que se traduzem em milhares de visualizações dos artigos que vão sendo publicados no nosso blogue, como pela aceitação pública de novos projetos, como é exemplo a Rádio Nova da Língua Portuguesa, projeto que pretende divulgar os vários sotaques e sonoridades de pessoas falantes em português ao redor do planeta, dando privilégio à música, como instrumento universal de comunicação e assimilação.

Da sua visita pela cidade de Salvador, sentiram-se profundamente tocados por uma missa que presenciaram na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, pela forma como foram recebidos na Casa do Rio Vermelho, pela essência do que é a vida nos subúrbios da grande Salvador, além de terem ficado bastante sugestionados com as condições em que resiste o Gabinete Português de Leitura da Bahia.

Sobre os visitantes:

Mariana Correia Pinto é jornalista do diário português o Público, fez parte da equipa fundadora do P3, desenvolveu durante um ano, um projeto no Facebook em parceria com o fotojornalista Manuel Roberto “Porto Olhos nos Olhos”. e publicou o livro “Porto última Estação”, editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Miguel Carvalho é jornalista na Revista portuguesa Visão, tendo já passado pelo “Diário de Notícias” e pelo semanário “O Independente“, é autor, até à data, de 6 livros

Eis algumas das fotos da sua passagem pelo Gabinete a 31 de janeiro de 2020.

Gabinete em festa: 102 anos do edifício-sede

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O edifício-sede do Gabinete Português de Leitura da Bahia completa, nesta segunda-feira (3), 102 anos.

A obra foi inaugurada em 3 de fevereiro de 1918 em solenidade que contou com as presenças do governador Moniz Aragão, de intelectuais como Teodoro Sampaio, e do padre jesuíta Luís Gonzaga Cabral.

Situado na Praça da Piedade e projetado pelo arquiteto italiano Alberto Barelli, o prédio tem como destaque a biblioteca Infante Dom Henrique, com um acervo de 25 mil volumes, incluindo diversas obras raras. O edifício conta, também, com um auditório e um grande Salão Nobre para eventos.

Respeitando o estilo neomanuelino de outros gabinetes construídos no Brasil, o Gabinete Português de Leitura da Bahia traz na fachada estátuas de Luís de Camões e do Infante Dom Henrique.

Reunião alinha detalhes para congresso Tomé de Sousa

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O presidente do Gabinete Português de Leitura, Abel Travassos, e o comissário de Cultura de São Pedro de Rates, Paulo Sá Machado, alinharam os últimos detalhes para a participação do Gabinete no Segundo Congresso Internacional Tomé de Sousa, previsto para o final de março, em Salvador.

São Pedro de Rates, freguesia de Póvoa de Varzim, no Norte de Portugal, é o local de nascimento de Tomé de Sousa, em 1503.

O evento, organizado também pela Universidade Federal da Bahia, vai reunir historiadores e pesquisadores que irão apresentar e debater temas relacionados à figura do primeiro governador Geral do Brasil.

Após uma reunião na Junta de Freguesia de São Pedro de Rates, Abel Travassos colocou as dependências do Gabinete Português de Leitura à disposição para o congresso. “Será uma honra receber os irmãos portugueses em nossa cidade para um evento tão importante”, disse o presidente. “Esperamos que o nível seja tão elevado quanto o do nosso primeiro seminário”, afirmou Paulo Sá Machado, que agradeceu a atenção e a disponibilidade.

O primeiro encontro foi em realizado em julho de 2019. No “I Congresso Internacional Tomé de Souza – 1º Governador do Brasil e Fundador da Cidade de São Salvador da Baía” participaram historiadores da Universidade do Porto, da Universidade Federal da Bahia, além de pesquisadores de diversas cidades portuguesas e do Togo, na África.

VII ENCONTRO LUSO-AFRO-BRASILEIRO AS MULHERES E A IMPRENSA PERIÓDICA

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Gabinete Português de Leitura – Salvador, Bahia
7 e 8 de outubro de 2019

A VII edição do Encontro Luso-Afro-Brasileiro: As mulheres e a imprensa periódica, que terá lugar em Salvador (BA), durante os dias 7 e 8 de outubro 2019, no Gabinete Português de Leitura, integra as intervenções de mais de 3 dezenas de colegas portuguesas, brasileiras e africanas em torno de temas ligando mulheres e imprensa periódica.

A partir do projeto «Senhoras do Almanaque» serão estudadas algumas das figuras femininas que nele constam, durante o período em que esteve ativo (séculos XIX-XX) inclusivamente estando previsto o lançamento de alguns livros entretanto editados. Haverá ainda espaço para nos ser apresentado o próprio projeto e suas derivas por quem o idealizou e levou à prática. Não obstante, o VII Encontro será palco para conhecer e debater a presença feminina em periódicos e nalguns casos abordar muito em particular as crônicas como «Eles e Elas» ou «Modos e modas: usos e costumes», em jornais e revistas publicados em diferentes continentes como é o caso de O País, A Tarde, Voz Feminina, Cláudia, A Paladina do Lar ou O Brado Africano.

Determinadas regiões serão escrutinadas a fim de dar a conhecer as «mulheres de letras» e nesse caso lembradas serão as presenças femininas do Norte do Brasil, assim como as de determinados Estados, Rio Grande do Sul, Piauí e Bahia são disso exemplo.

Aguardamos a entrega dos textos entretanto produzidos pela(o)s colegas pois quer a seleção dos ensaios coligidos em 2018 – Real Gabinete Português do Rio de Janeiro – e 2019 – Gabinete Português de Leitura – Bahia, serão editados na Colecção Elas, a fim de serem convenientemente disseminados pelas diversas comunidades acadêmicas, literárias e outras, que neles possam ter interesse.

Aguardamos a V/ presença, na esperança de que escrita e escritoras beneficiem do nosso olhar e do debate que em Salvador conseguirmos fazer.

Lisboa – Salvador – Agosto 2019
A Comissão Organizadora

PARTICIPANTES:
Acácia RIOS (Faculdade Amadeus); Algemira de Macêdo MENDES (UESPI/UEMA); Angela LAGUARDIA (CLEPUL); Beatriz WEIGERT (UÉvora); Carla NOGUEIRA (UFBA); Constância Lima DUARTE (UFMG); Eliane VASCONCELLOS (FCRB); Elisabeth Fernandes MARTINI (SME-RJ/RGPL); Erika Ruth M. CIARLINI (UESPI); Evelina Sá de Carvalho HOISEL (UFBA); Florentina Silva SOUZA (UFBA); Geórgia ALVES (UFPE); Isabel LOUSADA (UNLisboa); Jailma dos Santos Pedreira MOREIRA (UNEB); Karla Renata MENDES (UFAL); Márcia Rios da SILVA (UNEB); Maria Carlos Lino ALDEIA (CLEPUL); Maria do Carmo CAMPOS (UFRGS); Maria do Socorro CARVALHO (UNEB); Maria Lúcia BARBOSA (CLEPUL); Nadilza MOREIRA (UFPB); Nancy Rita Ferreira VIEIRA (UFBA); Nelma ARÔNIA (UNEB); Odalice Castro SILVA (UFC); Rafaella FERNANDEZ (PACC/UFRJ); Rosa Cristina Hood GAUTÉRIO (UFSC); Rosana KAMITA (UFSC/CNPq); Rosane SALOMONI (PMPA); Simone MARINHO (PMS); Teresa SILVA (UAN); Vania Pinheiro CHAVES (ULisboa); Vanilda Salignac MAZZONI (Memória & Arte/UFBA); Yurgel P. CALDAS (UNIFAP)

ESCRITORAS:
ALBA VALDEZ, ALBERTINA DE LUCENA, AMÉLIA DE FREITAS BEVILÁQUA, CARMELITANA DE ARANTES, CARMEN DA SILVA, CAROLINA MARIA DE JESUS, CECÍLIA MEIRELES, CLARICE LISPECTOR, CORINA COARACI, JÚLIA LOPES DE ALMEIDA, LUIZA AMÉLIA DE QUEIROZ, MARIA FEIO, MARIA LÚCIA LEPECKI, MARIANA COELHO, MARTHA D’AZEVEDO, MYRIAM FRAGA, NOÉMIA DE SOUSA, RACHEL DE QUEIROZ, STELLA DE OXÓSSI

LANÇAMENTO DE LIVROS:
– Coleção Senhoras do Almanaque: Alba Valdez (1874-1962), por Odalice Castro Silva; Anália Vieira do Nascimento (1854-1911), por Beatriz Weigert
– A poética de resíduos de Carolina Maria de Jesus, por Raffaella Fernandez
– ELES E ELAS (2 reimp. João Pessoa, UFPB), por Nadilza Moreira
– Mulheres em Letras: diáspora, memória, resistência (ensaios, 2019, organizado por Constância Lima Duarte, Cristiane Cortes, Juliana Borges e Natalia Fontes de Oliveira), Viçosa, MG: UFV, 2019

Programação

7 outubro
09:00-09:15 – Abertura (Comissão Organizadora Local e representantes das Instituições de Acolhimento)
09:15-10:00 – Conferência
Florentina Silva Souza (UFBA) – Mulheres negras na imprensa periódica
10:15-12:00 – Mesa-Redonda: A coleção «Senhoras do Almanaque»
Mediadora – Nancy Rita Ferreira Vieira (UFBA)Angela Laguardia (Letras de Minas-UFMG) e Maria Lúcia Barbosa (Letras de Minas-UFMG) – Carmelitana de Arantes: um roteiro insólito entre almanaques e periódicos

Elizabeth Fernandes Martini (SME-RJ/RGPL) – Onde bate o coração: a Figueira da Foz pelos olhos de Maria Feio

Maria Carlos Lino Aldeia (CLEPUL) – O ruralismo e o bucolismo na poesia de Albertina de Lucena. Prefiguração simbólica de um mundo melhor?

Odalice Castro Silva (UFC) – Alba Valdez, nos inícios do século XX

Rosana Kamita (UFSC/CNPq) – Travessias literárias: a presença luso-brasileira de Mariana Coelho no Almanaque de Lembranças

Vania Pinheiro Chaves (ULisboa) – Um projeto luso-brasileiro: o Almanaque de Lembranças e a coleção Senhoras do Almanaque

13:30-15:00 – Sessões de comunicações
Mediadora: Márcia Rios da Silva (UNEB)

Geórgia Alves (UFPE) – O retrato da identidade feminina na imprensa dos anos 60/70 a partir das crônicas de Clarice Lispector

Karla Renata Mendes (UFAL) – Cecília Meireles e a literatura em periódicos portugueses

Rafaella Fernandez (PACC/UFRJ) – Reportagens, marginálias e papéis avulsos como documentos de protesto contra a imprensa no espólio de Carolina de Jesus

Rosane Salomoni (PMPA) – Jornalista de carreira e de carterinha: a longa trajetória de Júlia Lopes de Almeida

Yurgel P. Caldas (UNIFAP) – A presença de mulheres do norte do Brasil no Almanaque de Lembranças

15:15-17:00 – Mesa-Redonda: Mulheres e imprensa periódica 1
Mediadora – Vania Pinheiro Chaves (ULisboa)

Beatriz Weigert (UÉvora) – Maria Lúcia Lepecki: crônicas na revista Superinteressante

Erika Ruth Melo Ciarlini (UESPI) e Algemira de Macêdo Mendes (UESPI/UEMA) – A imprensa literária piauiense: percursos históricos (1880-1930)

Evelina Sá de Carvalho Hoisel (UFBA) – Myriam Fraga na imprensa baiana

Maria do Carmo Campos (UFRGS) – Martha e o jornal, um olhar focado na imprensa latino-americana

Maria do Socorro Carvalho (UNEB) – O saber de Stella de Oxóssi na seção de opinião do jornal A Tarde

Nadilza Moreira (UFPB) – «Eles e Elas», crônicas de Júlia Lopes de Almeida em O País

8 outubro
9:00-9:45 – Conferência
Teresa Silva (UAN): A mulher na imprensa angolana
9:45-12:00 – Mesa-Redonda: Mulheres e imprensa periódica 2
Mediadora – Nelma Arônia (UNEB)

Ana Maria Lisboa de Mello (UFRJ) – A visão da sociedade carioca do início do século XX nas crônicas de Carmen Dolores

Carla Nogueira (UFBA) – Noémia de Sousa, a poesia de em periódicos de Moçambique no período colonial

Jailma Pedreira (UNEB) – A cronista Rachel de Queiroz: apropriando-se da escrita de si

Rosa Cristina Hood Gautério (UFSC) – Um olhar para a história da imprensa feminina entressecular no Rio Grande do Sul

Vanilda Salignac Mazzoni (Memória & Arte/UFBA) – As mulheres na imprensa baiana: A tradicional revista A Paladina do Lar

13:30-15:15 – Mesa-Redonda Mulheres e imprensa periódica 3
Mediadora: Rita Aparecida Santos (UNEB/Cátedra Fidelino de Figueiredo)

Acácia Rios (Faculdade Amadeus) – Carmen da Silva na imprensa e na literatura: apontamentos sobre a construção do seu discurso feminista e a formação de leitoras

Cláudia Pazos Alonso (Oxford University) – Francisca Wood e a imprensa periódica do século XIX

Constância Lima Duarte (UFMG) – A história possível: imprensa e emancipação da mulher no Brasil no século XIX

Eliane Vasconcellos (FCRB) – «Modos e modas: usos e costumes»: uma edição anotada da coluna de Corina Coaraci

Simone Marinho (PMS) – Imprensa para Mulheres na Bahia: a normatização do feminino (1860-1917)

15:30-16:15 – Conferência:
Isabel Lousada (NOVA FCSH) – Itinerários (pouco ou nada) previsíveis – elas por elas

16:15-16:45 – Lançamento de livros:

15:30-16:15 – Conferência:
Isabel Lousada (NOVA FCSH) – Itinerários (pouco ou nada) previsíveis – elas por elas

16:15-16:45 – Lançamento de livros:

Coleção Senhoras do Almanaque – Alba Valdez (1874-1962), por Odalice Castro Silva; Amélia Janny (1842-1914), por Maria Aparecida Ribeiro; Anália Vieira do Nascimento (1854-1911), por Beatriz Weigert

A poética de resíduos de Carolina Maria de Jesus, por Raffaella Fernandez

ELES E ELAS (2 reimp. João Pessoa, UFPB), por Nadilza Moreira
16:45-17:00 – Encerramento (Comissão Organizadora Local)

Padre Bartholomeu de Gusmão ganha memorial em Cachoeira

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O Gabinete Português de Leitura, representado pelo presidente Abel Travassos, participou da inauguração, em Belém, distrito de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, do Memorial em homenagem ao padre Bartholomeu Lourenço de Gusmão, inventor do aeróstato, chamado de balão de ar quente.

Idealizada pelo Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), a homenagem, realizada no dia 5 de agosto, marcou os 310 anos da apresentação do invento, feita em 1709, à Corte do Rei D. João V, na Sala das Embaixadas do Palácio Real – Casa das Índias – em Lisboa, na presença de todos os embaixadores, inclusive o núncio apostólico do Vaticano, que registrou o feito por escrito.

O memorial é uma parceria do IGHB com a Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Cachoeira, representada pelo padre Helio Vilas Boas. O ato teve a presença, também, do idealizador do memorial, engenheiro e professor Adinoel Motta Maia, dos jornalistas Jorge Ramos e Romario Gomes, representantes do IGHB, além de autoridades locais, estudantes e a comunidade cachoeirana. 

O espaço que abriga o memorial constitui um registro histórico-geográfico-religioso, além de um instrumento de apoio à pesquisa e estudo tecnológico e científico para a população da região, turistas em visita a Cachoeira e estudiosos de todo o Brasil. Os painéis poderão ser visitados diariamente, durante o horário de funcionamento da igreja. “Esperamos contar com o apoio dos poderes públicos, instituições de ensino, comunidades locais e visitantes, para enriquecer e disseminar a importância desse memorial”, pontuou o jornalista Jorge Ramos, membro da comissão de Cultura e representante do IGHB.

“Bartholomeu tornou-se inventor, ainda no início do século XVIII, realizando uma obra hidráulica pioneira em Belém e um primeiro voo no palácio da corte portuguesa, em Lisboa, testemunhado e registrado oficialmente, no dia 5 de agosto de 1709 – data esta anterior à da performance do para-raios de Benjamim Franklin (1752), que se considera erroneamente como o primeiro invento do homem nas Américas, assertiva esta que já deve, assim, ser corrigida”, defendeu o proponente e autor dos textos do memorial, engenheiro, professor e diretor do Gabinete Português de Leitura Adinoel Motta Maia.

O especialista ainda destaca um outro invento de Bartholomeu Lourenço de Gusmão: a elevação da água por um cano, sendo ele devidamente apresentado e anotado em órgão público oficial, em sessão da Câmara de Vereadores da Cidade de Salvador (Bahia/Brasil), realizada na data de 12 de dezembro de 1705 – três anos e meio antes do voo do aeróstato. 

O padre voador Bartholomeu Lourenço, de nacionalidade então portuguesa e hoje brasileira, nasceu em 1685, na então Rua Santo Antonio – hoje Rua do Comércio – cidade de Santos, São Paulo. Era o quarto filho do português Francisco Lourenço e da brasileira Maria Álvares. Foi levado para Belém de Cachoeira, na igreja do mesmo seminário ao qual chegou e onde cresceu, sob a proteção do padre Alexandre de Gusmão (sobrenome que seria acrescentado por Bartholomeu ao seu nome, quando viveu em Lisboa e Coimbra). Viajou pela Holanda, Inglaterra e França. Estudou na Universidade de Coimbra, concluiu a Faculdade de Cânones e passou a dedicar-se a pesquisas técnico-científicas nos campos da aerostação, criptografia, hidráulica, história, literatura, matemática e teologia. Faleceu em 19 de novembro de 1724, em Toledo, na Espanha, aos 38 anos. É o patrono do Serviço de Assistência Religiosa da Aeronáutica, que o considera um dos precursores da aviação. “Estou profundamente emocionada com esse encontro. É uma honra estar aqui e prestigiar um memorial que engrandece Belém de Cachoeira”, acrescentou a ex-vereadora e considerada a mais ilustre moradora de Belém, Angelina Cordeiro, conhecida como dona Nenzinha. “Que as futuras gerações se espelhem neste exemplo de Bartholomeu, autor de uma bela teoria científica, e ajudem a preservar este memorial”, é o que espera o morador e pesquisador Antonio Morais Ribeiro. 

Foto e informações: IGHB