O 25 de Abril de 1974 na história dos portugueses

27 de abril de 2019 Comunidade, História

É o Dia da Liberdade em Portugal. A data homenageia a reposição das liberdades democráticas neste país europeu – após mais de 40 anos de um regime ditatorial – provocando transformações sociais com resultados expressivamente positivos, visíveis sobretudo, ao nível do Índice de Desenvolvimento Humano. 


Em 25 de Abril de 1974 o Movimento das Forças Armadas (MFA) derrubou o regime ditatorial que oprimiu o Povo Português por 48 anos. Nessa madrugada do dia inicial, inteiro e limpo (como poetizou Sophia de Mello Breyner) os militares de Abril foram claros nas suas promessas: terminara a repressão, regressara a Liberdade, vinha aí o fim da guerra e do colonialismo, vinha aí a democracia.


Com tudo isso, a Revolução dos Cravos pôs fim ao isolacionismo a que Portugal estava condenado há já vários anos e ajudou ao nascimento de novos países independentes. 


Este movimento foi pioneiro de enormes transformações democráticas em todo o mundo e demonstrando que as Forças Armadas não estão condenadas a ser um instrumento de opressão, podendo, pelo contrário, ser um elemento libertador.


Democratizar, Descolonizar e Desenvolver foi o lema que então fez regressar Portugal ao fórum das nações livres e amantes da paz.


Ao cumprir todas as suas promessas, os capitães de Abril – os verdadeiros atores daquela revolução – transformaram o seu ato libertador numa ação única na História da Humanidade.


O regime derrubado a 25 de abril de 1974, tinha sido implementado através de um golpe militar em 1926. O ditador António de Oliveira Salazar, instalou um regime inspirado no fascismo italiano.


Portugal manteve-se neutro durante a Segunda Guerra Mundial. Após o término da segunda guerra mundial, o mundo conheceu um novo impulso, tanto no plano econômico, mas também político. Naquela altura, as nações começaram a investir em conceitos de cidadania e dando importância à responsabilidade das liberdades individuais.


No entanto, Salazar [o ditador português] recusou este conceito, bem como o de conceder a integração das colônias de GoaDiu e Damão na União Indiana e, também, sequer de dar independência às colônias africanas e de Timor Lorosae.


Esta recusa em assimilar novos conceitos, estimulou a invasão das colônias portuguesas na Índia, pela União Indiana, e o surgimento de movimentos de guerrilheiros de libertação em quase todas as restantes colônias. Em 1968 Salazar teve um problema de saúde e foi substituído por um seu ministro, Marcelo Caetano, que – na sua essência – deu continuidade à sua política. 


Em 1974, Portugal tinha 3 importantes frentes de guerra, com pesadas baixas e poucos ganhos militares. Assim, tanto a decadência econômica, como o desgaste com a guerra colonial – que provocavam descontentamento na população e nas forças armadas – favoreceram a aparição de diversos movimentos e revoltas militares contra a ditadura.


No dia 25 de abril de 1974,explode a revolução vitoriosa.


A primeira senha para o início do movimento, surgiu aos microfones da rádio Emissores Associados de Lisboa, através da música “E Depois do Adeus“, interpretada por Paulo de Carvalho. A segunda senha, surgiu em outra rádio (Rádio Renascença), à meia-noite e vinte, com a música “Grândola Vila Morena”, de Zeca Afonso


Às 04:20 desse mesmo dia, o Movimento das Forças Armadas emitiu o seguinte comunicado:


Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas.As Forças Armadas Portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os portugueses, o que há que evitar a todo o custo.Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua ocorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração que se deseja, sinceramente, desnecessária.

Os militares fizeram com que Marcelo Caetano fosse deposto. A população saiu às ruas para comemorar o fim da ditadura e distribuiu cravos, transformando-a na flor nacional, aos soldados rebeldes em forma de agradecimento.


O cravo vermelho tornou-se o símbolo da Revolução de Abril de 1974. Segundo se conta, foi Celeste Caeiro, que trabalhava num restaurante na Rua Braancamp (em Lisboa), que iniciou a distribuição dos cravos vermelhos pelos populares que, depois, os ofereceram aos soldados. Estes colocaram-nos nos canos das espingardas.