Jorge Amado e José Saramago na FLIP

28 de julho de 2017 Comunidade, Notícias

A 27 de julho, na 15ª edição da FLIP (Feira Internacional de Paraty), realizou-se a apresentação do livro “Com o mar por meio. Uma amizade em cartas – Jorge Amado e José Saramago”, com Paloma Amado, Pilar del Río e Luiz Schwarcz.

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A obra inclui reúne troca de inconfidências e agrados, trocadas entre Lisboa e Salvador, entre Paris e Lanzarote, por Jorge Amado e José Saramago. Paloma Jorge Amado, filha do escritor brasileiro, e Pilar del Río, mulher do autor português, estão à frente da iniciativa.
Foi uma explosão de alegria“, contou Paloma a propósito do momento em que acordou os detalhes do projeto com Pilar após uma rara coincidência de vontades. Os pesquisadores da Fundação Casa de Jorge Amado, no Largo do Pelourinho, centro histórico de Salvador onde está o acervo do autor de Gabriela, Cravo e Canela, já estavam a ocupar-se de digitalizar cartas enviadas por Saramago a Amado com vista a publicar um livro quando Pilar entrou em contato por telefone. A jornalista espanhola propôs que as duas famílias montassem uma casa na FLIP para discutir essa, ainda pouco conhecida, troca de correspondências. Juntou-se o útil ao agradável: além do livro editado pela Companhia das Letras, as cartas do português e do brasileiro estarão em debate na feira literária da cidade a poucos quilômetros do Rio de Janeiro.

Jorge Amado
Saramago e Amado conheceram-se em 1990, o primeiro com 68 anos e o segundo com 78, no júri do prêmio da União Latina, em Roma. A partir do ano seguinte, quando foram novamente jurados, intensificaram a relação, desenvolveram uma amizade e encontraram um objetivo comum: que o Prêmio Nobel viesse um dia parar às mãos de um autor de língua portuguesa.

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A primeira carta trocada entre ambos, assinada unicamente “José” em dezembro de 1992 já fala do tema. A última, assinada por “Jorge“, mas também pela sua mulher Zélia (a escritora Zélia Gattai) e por Paloma, filha de ambos, data de 8 de outubro de 1998 e é exatamente a congratular o português pela conquista do prêmio da academia sueca. Conta Paloma que “na época, o papai vivia fechado em si, pesaroso pelo enfarte e principalmente pela perda de visão, por isso ficava no seu cadeirão de olhos fechados“. “Mas“, continua, citada pelo Estado de São Paulo, “quando José venceu, contei-lhe e ele imediatamente abriu os olhos, foi pegar o champanhe e disse eufórico “vamos escrever-lhes um fax“”.
O meio usado para a maioria das correspondências foi, de facto, o fax, hoje obsoleto, mas à época uma forma demasiado moderna de comunicação entre os dois já anciãos autores. Num dos faxes trocados entre Salvador e Paris, as cidades da família Amado, e Lisboa e Lanzarote, as moradas dos Saramago, o escritor baiano conta, com detalhes divertidos, como o seu aparelho se assemelhou a um vulcão em chamas após uma surpreendente avaria.

Fonte: DN e FLIP

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